A tabela de prazos
Prazos gerais previstos na Fair Credit Reporting Act (15 U.S.C. §1681c):
- Atrasos e contas em cobrança: até 7 anos.
- Falência do Capítulo 7: até 10 anos.
- Falência do Capítulo 13: até 7 anos a partir da data do pedido.
- Retomada de bem (repossession): até 7 anos.
- Consulta de crédito (hard inquiry): cerca de 2 anos no relatório, com peso maior nos primeiros meses.
- Contas pagas em dia: podem permanecer por mais tempo — e isso joga a seu favor.
De quando conta o prazo
Esse é o detalhe que decide muitos casos. O prazo de sete anos de uma cobrança é contado a partir do primeiro atraso que levou a conta à cobrança — e não da data em que a empresa de cobrança comprou a dívida.
Por que isso importa: quando uma dívida é vendida de uma empresa de cobrança para outra, às vezes a data registrada "rejuvenesce", e o item passa a aparecer como se fosse recente. Isso é um erro, é contestável, e é uma das coisas mais valiosas de verificar no seu relatório.
Guarde a regra: a data não muda porque a dívida mudou de dono.
O caso da dívida médica
Esse ponto mudou recentemente e muita informação circulando está desatualizada.
Uma regra federal que restringia o reporte de dívidas médicas nos relatórios de crédito foi derrubada na Justiça em 2025, e desde então essa restrição federal não está em vigor. Em paralelo, as próprias agências de crédito mantêm políticas voluntárias adotadas em 2023 que já retiraram parte dessas cobranças dos relatórios, e alguns estados criaram regras próprias sobre o tema.
Resultado prático: não dá para afirmar nem que "dívida médica não aparece mais", nem que "aparece como qualquer outra". Depende do valor, da política da agência e do estado. É exatamente o tipo de item que vale conferir no seu relatório, com data e valor na mão, antes de concluir qualquer coisa.
Remover não é quitar
Duas coisas diferentes que as pessoas tratam como uma só:
- Sair do relatório significa que aquela informação deixou de ser exibida às empresas que consultam seu crédito.
- Deixar de dever significa que a obrigação financeira acabou, por pagamento, acordo ou prazo legal de cobrança.
Uma dívida pode sair do relatório e continuar existindo. E uma dívida paga pode continuar aparecendo com saldo em aberto — aí sim há um erro, e um erro que vale a contestação.
Por isso, no caminho do financiamento imobiliário, a pergunta certa nunca é só "isso sai?". É "isso sai, isso continua sendo devido, e o lender vai exigir quitação antes de fechar?".
O que pode ser contestado de verdade
Depois de entender os prazos, fica fácil separar o que é contestação legítima:
- Item que já passou do prazo e continua aparecendo.
- Data de primeiro atraso registrada errada, inclusive por mudança de credor.
- Conta que não é sua.
- Saldo ou status que não corresponde à realidade.
- Mesma dívida aparecendo duas vezes como contas diferentes.
- Consulta feita sem finalidade permitida (§1681b).
E o que não é: pedir a remoção de informação correta, dentro do prazo, porque ela atrapalha. Esse pedido não tem fundamento — e qualquer empresa que aceite fazer isso por você está fazendo mais mal do que bem.
Para o passo a passo, veja como contestar um erro no relatório.
Perguntas frequentes sobre este tema
Pagar uma cobrança faz ela sair do relatório?
Não automaticamente. Pagar costuma mudar o status para "paga", mas o registro pode permanecer até completar o prazo. Em alguns casos o lender exige a quitação de qualquer forma para liberar o financiamento.
Falência some em 10 anos mesmo?
O Capítulo 7 pode permanecer até 10 anos; o Capítulo 13, até 7 anos a partir da data do pedido. Enquanto estiver correto, não há o que contestar.
Consulta de crédito prejudica por quanto tempo?
A consulta fica cerca de dois anos no relatório, mas o efeito sobre o score se concentra nos primeiros meses e diminui com o tempo.